segunda-feira, 1 de junho de 2009

LUTO - a ultima lembrança-

Dia de chuva...
Ele, eu, o "carro véio", uma sinuosa estrada de barro a nossa frente. Seu bonézinho tentava, mas não escondia os olhos rasgados, iguais aos meus, perceptivelmente amedrontados com aquela situação, mãos firmes no volante, ia em sintônia de um lado para outro, ritmados com os peneus deslizando na lama da ladeira, pés descalsos, hora no freio, hora no acelerador, demonstrando toda a inexperiência de um nenino que acabou de tirar a carteira, - o menino era meu avô- de seus sessenta e cinco anos que acabara de aprender a dirigir, mesmo temeroso, contudo com o rosto sereno assoviava sempre a mesma canção que eu nunca sabia qual era, sempre a mesma, desde quando eu era menino. O terço que pendia no retrovisor do carro parecia indicar a presença de Deus colocando-se entre nós dois... Eu, fingia que nada acontecia, o coração saindo pela boca, minhas mãos suavam e meus pés também, mas a confiança em meu avô era maior que qualquer coisa, maior até que meu medo. Uma paisagem linda de precipícios se apresentava meio turva pela janela,um riozinho cortando as pedras lá em baixo e uma casinha a sua margem. -Ufa, a ladeira acabou!- Ele para o carro, tira as mãos do volante, tremulas, querendo disfarçar retira o boné da cabeça com uma mão e com a outra, alisa os cabelos pretos, incrivelmente pretos apesar da idade, recoloca o boné, vira o pescoço em minha direção, com um ar meio tenso, e de repente um confortante sorriso aparece por debaixo daquele "bigodinho de hitler" que nunca saira da face dele, respirou fundo e disse: " o pior é que tem outra pra subir logo ali a frente oh." não fiz cara de surpreso, já havia passado por ali antes... E lavamos nós outra vez, o mesmo ritual, dessa vez para subir aquele morro monstruoso, que vinha vindo.
Ontem ele se foi, o homem que me deixou de presente os tão comentados "olhinhos rasgados" se foi... Levou consigo seu bigodinho e o assivio daquela canção que nunca tive a curiosidade de saber qual era, e que hoje daria o mundo pra que ele estivesse aqui para que eu pudesse perguntá-lo -Vô, que canção é essa?!- o assovio se calou Ainda bem que eu sempre disse a ele o quanto eu o amava.
-Esta é lembrança que quero guardar do senhor Vô, da ultima aventura juntos. Vá com Deus...

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Durma medo meu..."


Durma medo meu...
Pare de gritar em meus ouvidos, em alto e em bom som, que nada vai mudar
De tentar fazer de mim, mais um, apenas mais um entre milhões de conformados
Chega dessas tentativas incessantes de colocar-me impotente perante meus espelhos
Não vou me conformar diante o “inconformável”

Durma medo meu...
E não me diga que todos são iguais
Nossas raízes são diferentes
Nossos ideais e nossas idéias também são
Mas também não tente convencer-me de que somos todos diferentes...

Durma medo meu...
Cala-te, pare de dizer-me o que não fazer
Dê-me opções melhores que a inércia
Dê-me a força de movimento
Dê-me ação...

Durma medo meu...
Durma e acorde minha coragem
Peça licença a esse meu - EU covarde-
Vamos, arranque essas algemas invisíveis de meus pulsos e vamos
Mudar essa nossa realidade, cruel e tão covarde quanto você...
Portanto,ordeno que durma medo meu...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Prostituição Infantil: "Anjos da noite"


Jociane Silva dos Santos, ela está sozinha. seus pais estão mortos. Circula pela praça com outras meninas, que a estão ensinando a ''cair na vida". Para ela, " Aids é uma doença que vem da água". Aos nove anos, ainda não sabe a diferença entre Aids e Coléra. (DIMENSTEIN, Gilberto, Meninas da Noite, ed.12 SP: 1992:105).

Adriana mora no prostibulo de Chica Bagaço. A familia não aceitou que ela tivesse perdido a virgindade. Ganhou a rua. Seu sonho é ter um marido, filhos e trabalhar. "Mas onde vou trabalhar se não tenho estudo?". Reflete Adriana". (DIMENSTEIN, Gilberto, Meninas da Noite, ed.12 SP: 1992:33).


Miriam não estava entendendo nada. Há três dias viajava pelo rio em busca de emprego prometido pela irmã. mas no porto foi recebida por um dono de boate chamado Bucho de Bode. Enquanto percorria pela primeira vez a passarela de madeira que separava o porto da boate, um homem parou-a, pegou-a pelo braço e disse: "Quero ver se você é boa de cama". Teve de amargar um mês até se libertar e ir embora da cidade. A regra no salão era dura: se não "fizesse salão", não comia e ainda tinha de pagar o aluguel do quarto. A desobediência era resolvida no braço. (DIMENSTEIN, Gilberto, Meninas da Noite, ed.12 SP: 1992:55).

A prostituição infantil trata-se de um fenômeno complexo e perigoso que envolve crianças e adolescentes de todo o mundo. Estas crianças estão inseridas em um contexto de abusos, constante exploração sexual, se submetendo às diversas fomas de humilhações. Devido a tanto, deixam de ser aquilo que desejam, que sonham, para serem apenas aquilo que a prosmiscuidade, a luxúria, e a econômia lucrativa dessa prática permitem, encontrando respaldo na omissão da sociedade.
Determinado por fatores sócio-econômicos e também por fatores sócio-culturais, é possivel dizer que este fenômeno atinge todas as classe sóciais, seja direta, ou indiretamente. Estudo feito por um jornalista conhecido como Gilberto Dimenstein comprova essa afirmatica com histórias veridicas de crianças prostituidas, elencando diversas circunstâncias que as levasm a se submeterem a esse tipo de exploração. Estas, usam seu corpo como oficio, meio de trabalho para subsidiar sua própria sobrevivência, e enriquecer ilicitamente seus algozes.
Essas crianças são vítimas de tudo e de todos, da má estruturalização familiar, muitas vezes advinda das pessímas condições de vida, da má educação pública, do alcance ineficáz da norma e é claro, da maldade e incensatez daqueles que andam por detrás de todo esse esquema asqueiroso. E o pior é que, mesmo cientes de que nehuma ação gorvenamental sem o apoio incondicional da sociedade terá eficácia, ainda nada se é feito. Projetos e mais projetos infindados e falhos se tornam munúsculos diante as dimenções continentais deste problema.
Infância, época marcada pela alegria, pelas brincadeiras, pela inocência. Fase fundamental para o desenvolvimento de qualquer individuo. Fase que para esses infantes não existe, ou existe de forma bem diferente do que se espera de uma infância verdadeiramente feliz. Estas são "crianças invisiveis", transparentes aos olhos da sociedades e submersas em meio a sordidez de seus "donos".
Crianças, pequenos adultos que carregam consigo traumas, medos ainda ingênuos, pois tiveram seu desenvolvimento completamente comprometido. Cada uma delas é vítima do esgoto humano, da parte vil da sociedade, vítimadas pela prostituição da alma das pessoas. Cada uma delas é um "Anjo da noite", são os anjos que sofrem na escuridão de seus cárceres, anjos que sofrerem da excusão do direito de gozar do sentimento de liberdade, pois, tiveram suas asas abruptamente arrancadas antes mesmo que pudessem sonhar em voar, e descobrir que seus sonhos poderiam ser possiveis, mas que na verdade, eram apenas refúgios, esconderijos que as protegiam do pesadelo que é a vida real lhes impunha diariamente.
Cada "anjo da noite" assume uma personalidade diferente do seu verdadeiro ser, se escondem ainda enquanto criança, sob uma pesada máscara da maquiagem de mulher, sufocando suas angústias, seus medos, apagando suas histórias na tentativa de esquecer o passado, e vivendo o temor de um futuro incerto, repleto de assombrações e pesadelos de uma vida inteira.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Meu vício é você...


Se eu fechar os olhos, consigo lembrar-me de cada detalhe teu, sorrisos, olhares, trejeitos... Consigo lembrar-me de meu rosto colado ao teu sentindo tua pele, de meu nariz vasculhando cada cantinho do teu pescoço, registrando teu cheiro pronto a me embriagar. Lembro-me de cada sutileza tua, da respiração ofegante junto ao meu ouvido e do calor que exala de ti, se encaminhando ao encontro do meu, destinados a se tornarem um só.
Se eu, quando em silêncio, concentrar-me, consigo ouvir-te contarolar e assoviar tuas musicas prediletas, que com certeza, se imortalizaram em alguns importantes momentos de sua vida, me fascino a cada expressão realizada por tua face ao cantarolá-las, como se estivesse dexando-se levar pela melodia de cada uma delas.
Se eu, com minha lingua, toco meus lábios, consigo buscar na lembrança o gosto de teus multiplos beijos, de um doce e leve celinho a um picante beijo de tirar o folêgo. Recordo-me também até dos movimentos realizados por teus lábios ao pronunciar cada palavra, nem um bocejo teu me passa por desapercebido.
Se eu, encostar uma mão na outra, posso sentir novamente a suavidade de tua pele, a circunferência de tua cintura por entre meus dedos passear. Posso sentir novamente o ânseio de minhas mãos por descobrir novos caminhos em teu corpo a trilhar, novos mistérios ainda por desvendar.
Se eu... Se eu não existe mais, não neste momento! Quando eu... Quando eu reencontrar-te, quero tê-la em meus braços, e reviver tudo novamente, dizer o quanto te amo, o quanto te quero, o quão importante se tornou em minha vida. Tudo isso por quê? Porque "meu vicio é você"!

Justiça dos Homens!


Justiça, apaixonante e doce "ilusão" que inebria e norteia os ultimos "Dos Quixotes" que ainda teimam e resistem no propósito de lutar por amor as causas perdiadas.
Como dissertar em favor de tal causa, se ao iniciarmos disposição de nossos argumentos, somos contraditos e prontamente freados pelas atitudes subversivas daqueles que estão legitimados a atuar no âmbito de nossa própria justiça?!
Diante exposto, comungo das idéias daqueles que acreditam em dois mundos: o real e o lúdico, onde o ser e o dever ser se conflitam constantemente evidenciando uma dualidade de largas diferenças induzindo-nos a crer na existência do concreto sem suas contradições, bem sem o mau, surrealismo versus o realismo material e inquestionavel dos fatos, no Deus sem o diabo e é claro, do justo sem o injusto.
Nós clamamos por um futuro melhor, um futuro de conto de fadas, onde no fim todos "viveram felizes para sempre", ludibriamo-nos ao ponto de pensar que contribuimos para a concretude desse "sonho", salvo engano quando o nosso "eu" vislumbra um bem maior (patrimônio). Sonhamos com um mundo, em que a filosofia humanitária se sobrepõe a filosofia da pecunia, onde o conceito de Direito se confunda com as prerrogativas da Justiça se fundindo num só corpo normativo, almeijando então promover o bem coletivo. Com isso, enchergamos a ideologia téorica cedendo seu imenso espaço a ideologia do praticar, do excercicio, do pleno gozo de nossas garantias fundamentais e facilitando por completo o acesso a justiça por de fato!
Entretanto, o homem se nutri de sentimentos hedonistas, de prepotentes demonstrações de orgulgo e poder, obtendo assim, apenas exito em construir um alicerce paltado nos mesmos sentires, e a justiça, essa se serve como mecanismo do em favor próprio.
Nossos legítimos agentes do Direito, aplicadores, legisladores, intérpretes de um modo geral vivem sob a égide do "ministério do silêncio". Aqueles que possuem legitimidade absoluta para promover justiça igualitária, se veêm vedados pela ilicitude de seus próprio atos, deixando-se por serem acometidos pela a força dos "dragões" detentores do poder instutucionalizado e em seguita do poder de compra, devendo-lhes subserviência e fidelidade.
Rui Barbosa, gênial agente do Direito certa feita deixou seu recado, definido muito bem, mesmo que implicitamente o conceito de injustiça: " Entre vós, porém moços, que estais ecutando, ainda brilha em toda sua rutilência o clarão da lâmpada sagrada, ainda arde em toda sua energia o centro do calor, a que se aquece a essencia d´alma. Vosso coração, pois, ainda incontaminado, que Deus assim o preserve."-Oração aos Moços-
Ao ultilizar o termo "incontaminado", remete-nos a vislumbrar a injustiça como uma "praga", disposta a contaminar tudo e a todos que se enterponha em seu caminho.
Jesus Cristo, detentor dos maiores e mais belos sentimentos do universo, possuidor de uma sapiência divina e de poderes exclusivos a um semi-deus, se pôs como vítima de um mau criado pelo homem, a voraz praga conhecida como injustiça, ou justiça dos homens!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Esclarecimentos!

Dizem que escrevo bem, não sei. Talvez me falte a técnica, mas escrevo com o coração, portanto, sobra-se paixão nas entrelinhas de meus paragráfos, e com o mesmo, os textos subsequentes devem ser apreciados. Com paixão!
Neste espaço virtual, temas serão abordados com o objetivo de aguçar os pensametos, estigar a fome de conhecimento e, por fim e não menos importante, aprofundar meus estudos.
Não me valho de intimidade com a internet, com isso, não se apeguem aos detalhes estruturais deste blog. O foco deste espaço é divulgar idéias, assuntos acadêmicos e não acadêmicos. Simplesmente, conteúdo! Apreciem sem moderação!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Coração

"Órgão de fé, órgão de esperança, órgão do ideal"assim, Rui Barbosa o define. Longe de mim discordar dos andágios provérbios, mas dizer que, "o que os olhos não veêm o coração não sente" é considerá-lo algo puramente carnal, nutrido por apenas assombros fisiológicos. O coração é muito mais que isso.
Enchegar com o coração é enchergar com os olhos d´alma, é viver previvendo, é se alimentar daquilo que não se pode ver, do que os olhos e ouvidos não divisam, nem do apalpavél por nossas mãos.
A nós jovens existem, a esperança, a fé, o ideal e o coração ainda incontaminado, pre-requisitos fundamentais para se promover, justiça.
E o coração, "Deus assim o preserve!"